Não existe assunto mais “hypado” no mundo dos negócios do que a Inteligência Artificial, e não é para menos. Com a chegada da IA generativa, e com os grandes modelos de linguagem acessíveis por meio de chats simples e intuitivos, a tecnologia ganhou o mundo.
E é aí que a coisa pode se complicar, sem o correto direcionamento. Na ânsia (e na pressão) para entrar de cabeça no hype, as empresas estão topando qualquer coisa, desde que o selo IA esteja presente. Mas sem clareza estratégica qualquer iniciativa pode fracassar e consumir milhões no caminho, o que já está acontecendo em muitos casos.

Para ajudar as empresas a obter esta clareza, criamos um modelo que classifica as iniciativas de IA em quatro grandes perspectivas. Chamamos este modelo de pirâmide da IA.

N1 Produtividade pessoal
O N1 é o do uso da IA para a produtividade pessoal. A pessoa usa IA como usa o Excel, para expandir memória, raciocínio e velocidade. Aqui começa tudo, e aqui as empresas estão entre a cruz e a espada, porque se por um lado querem que os colaboradores se capacitem, por outro muitos gestores ainda olham o uso das ferramentas com desconfiança.
N2 Processos internos
O N2 é o dos processos internos, onde a IA automatiza e aumenta a capacidade analítica dos fluxos de negócio. Aqui não tem como não lembrar aquele velho conceito de que automatizar um processo ruim só te ajuda a fazer coisa ruim mais rápido. Cathy O’Neil diz que os algoritmos são opiniões codificadas, e com a IA eles passam a ser também decisões e alucinações codificadas.

N3 Produtos e serviços turbinados pela IA
Até agora estávamos dentro dos muros da empresa. Está na hora de abrir a porteira. O N3 é o nível onde a IA turbina os produtos que o negócio já oferece, a maneira mais comum de surfar na onda da IA pelo lado da receita. Ou seja, aqui o céu é o limite, e os riscos também, porque junto com a onda vem o AI-washing.
N4 A IA como o próprio negócio
No topo está o N4, onde a IA vira o próprio negócio, com modelos, agentes e soluções vendidas ao mercado. Nem toda empresa precisa seguir por esse caminho, e para muitas isso sequer faria sentido.
O que a pesquisa mostra
A pergunta que fica é como as empresas estão surfando a onda nos quatro níveis. Para responder, fizemos uma extensa pesquisa com tomadores de decisão de indústria, energia, tecnologia, saúde e consultorias. Numa escala de 0 a 5, cada empresa é classificada em cada nível.

É nítido que a maturidade cai conforme subimos na pirâmide, o que não é surpresa. Entretanto, mesmo na base o nível é de integrador baixo, e uma média de 3.3 mostra que temos muito a avançar. Ainda mais se levarmos em conta que em muitos casos o N1 vem da curiosidade pessoal do colaborador.
Chegar ao ponto certo
O uso da IA de maneira estratégica depende, como tudo o que é estratégico, de uma clareza muito grande sobre o que se quer e, principalmente, sobre o que não se quer. É esta a pretensão da pirâmide: ajudar líderes a decidir em quais níveis vale concentrar tempo, energia e recursos. Não se trata de chegar necessariamente ao topo, mas de chegar ao ponto certo para a estratégia do negócio, com inteligência.
